
E não devia ter morrido. Porque assim me demonstra, da forma mais dolorosa, que o tempo passa. Talvez, se ela fosse humana (e seria uma senhora muito idosa), ela pudesse dizer que estava tudo bem, que não nos aborrecêssemos. Dizer que não sofria e que a vida era assim mesmo. Mas ela nada me disse. Não chorou. Aceitou tudo pacientemente. Por isso, o sentimento de justiça me diz que ela não deveria morrer. Só se é humano enquanto se tem senso de justiça, e o meu está me dizendo que ela não deveria morrer. Portanto, indigno-me.