2/15/2007

Orgulho Homo Sapiens

Virou moda. Aquela sua colega, fã do Chico Buarque e eleitora do PT. Aquele seu amigo, preocupadíssimo em descobrir a última moda e se enfiar no meio dos cools (sem cacófato). Um dia ele te encara e diz: “Bicho, eu parei de comer carne”. Depois do ecstasy, do Los Hermanos, da bissexualidade, do Streiédge, do colar de penas e das roupas indianas, a moda é comer capim. Alguns xiitas sequer toleram aquele ovo frito, o queijo coalhado da praia ou o leitinho com nescau de manhã.


Suspeite dessa gente. Principalmente porque a maior parte deles não se opõe ao assassinato de bebês, que eles preferem chamar de interrupção voluntária da gravidez. Matar rã não pode, feto sim. Claro, é só mais um sintoma de que o futuro do Ocidente é a auto-destruição. Nós, do século 21, nos esforçamos para destruir tudo o que foi erigido pela humanidade nos outros 20.


Bovina sorri ao saber que vai virar almoço: Bem passada, por favor!


Outro dia, no telejornal, uma defensora dos animais reclamava dos maus tratos num canil público: “É uma situação desumana”, justificava a senhora. Disse isso e não se corrigiu, nem pareceu depois ter notado a incongruência da declaração.


Gosto de animais. Chorei quando perdi minhas duas velhas cachorras neste ano. Mas nunca tive dúvida a respeito de quem era superior – se elas ou eu. Esta dúvida parece surgir com freqüência em algumas cabecinhas menos preparadas. O resultado é que eles passam a tratar uma cabra como se a bicha valesse tanto quanto Winston Churchill.


São Francisco de Assis chamava os animais de “irmãos inferiores”. Pois é isso mesmo: são nossos parceiros, mas nunca estarão numa condição igual à nossa. Duvidar da superioridade humana é o primeiro passo para a total perdição da nossa espécie. Tendo em vista a difusão do, digamos, igualitarismo animal, aconselho: Baratas, Golfinhos, Cachorros e Leões: estejam prontos para tomar nosso lugar no topo da cadeia evolutiva em breve.


Deus fez os animais e nos autorizou a fazer bom uso deles. Comendo-os, inclusive. Já é difícil demais não fazer o que Deus proíbe. Por que é que eu vou deixar de fazer algo que ele permite?
Na verdade, o homem aprendeu a reverenciar o animal que, perdendo sua vida, lhe servia de alimento. É assim que as pessoas começaram a rezar antes de comer. Da minha parte, prometo não desrespeitar o sofrimento do bicho, não desperdiçando sua carne. E tratando sempre de caprichar no molho e nas batatas fritas, para que o falecido possa cumprir sua última tarefa de maneira honrosa.


E os animais certamente se sentem orgulhosos de nos alimentar, ao longo dos anos, com as proteínas que permitiram o desenvolvimento do homem. Sem carne, os nobres vegetarianos de hoje seriam apenas uns macaquinhos mirrados, alvo preferencial de qualquer predador de médio porte.


Escrevo estas palavras para marcar minha posição de defesa ao consumo da carne. Em nome dos humanos onívoros, cada vez mais constrangidos. E principalmente em nome dos tigres, das águias, dos lobos e da infindável variedade de animais carnívoros, a quem não se estende o direito a voz. Mas vamos resistir.

Respeitamos o direito, exercido pelas vacas e pelos vegetarianos, de não comer carne (e de eventualmente serem comidos). Mas que tratem de defender a raça humana em primeiro lugar. E que não venham palpitar sobre meus almoços.

Afinal, existe um lugar para cada criatura na face da Terra – bem entre o arroz e as batatas!